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| dc.description.resumo | O presente artigo analisa o conto a partir das noções teóricas da resistência e do testemunho na narrativa do conto, Olhos d’Água, de Conceição Evaristo, destacando como a autora constrói um espaço de denúncia social e afirmação da subjetividade negra feminina. A partir do conceito de escrevivência, desenvolvido pela própria autora, a pesquisa destaca o modo como a escrita literária transforma experiências pessoais e coletivas de dor, pobreza e racismo em gestos políticos e poéticos de resistência. A fundamentação teórica apoia-se em autores como Bosi (2002, 2015), Seligmann-Silva (2008), Ginzburg (2008) e Spivak (2010), que refletem sobre memória, trauma, subalternidade e poder de enunciação. A análise do conto “Olhos d’Água” revela que o testemunho da narradora-filho reconfigura a memória materna e ancestral como forma de resistência frente ao apagamento histórico. A imagem dos “olhos d’água”, símbolo de sofrimento e de força, expressa a continuidade das dores coletivas e das violências interseccionais sofridas pelas mulheres negras. Assim, o texto evaristiano reinscreve vozes antes silenciadas, convertendo a escrita em espaço de escuta e visibilidade. Assim, compreendemos que ao unir escrevivência, testemunho e resistência, Conceição Evaristo rompe com a tradição eurocêntrica e patriarcal da literatura brasileira, promovendo uma descolonização3 da narrativa e uma reinscrição da voz subalterna feminina. A autora demonstra que escrever, nesse contexto, é um ato de (re)existência e de afirmação identitária que transforma a dor em potência estética e política. | pt_BR |